18 de setembro de 2018 às 14:20

Trabalhador rural de Cabeceira do Jiboia produz objetos de artesanato com matéria prima da região

Eduardo produz objetos de arte da fauna brasileira

Segundo pesquisadores, os povos antigos, antes de conhecerem a escrita ou de construírem habitações, já produziam obras de arte. Os homens das cavernas faziam bonitas figuras em suas paredes, representando os animais e pessoas da época, com cenas de caças e ritos religiosos. Antes mesmo de o homem pensar em construir habitações, ele já pintava. Por meio da arte, o homem teria humanizado a natureza e a si mesmo.

Essa concepção da história explica as inúmeras descobertas feitas pelo homem ao longo dos séculos, nos mais diferentes locais do planeta, em épocas remotas em que não havia a escrita. Isso mostra que para desenvolver a arte nem sempre é necessário ser alfabetizado, basta ter talento. É o que acontece com o trabalhador rural de Cabeceira do Jiboia, Eduardo Bispo Santos, que é também artesão e contador de histórias.

objetos ficam expostos nas árvores

Natural de Vitória da Conquista, aos 53 anos, Eduardo Bispo não é alfabetizado, mas o que falta em estudo extrapola em criatividade. Há cerca de 30 anos ele começou a produzir peças de artesanato com madeiras da região. Sua primeira peça foi uma marreca, cuja inspiração surgiu de forma espontânea, a partir do toco de uma árvore de café. “Olhei o toco e achei parecido com uma marrequinha, então retirei e terminei de concluir o serviço iniciado pela natureza, o resultado foi perfeito”, lembra.

Paisagem ajuda na inspiração do artista

Inspirado na natureza, Eduardo já produziu milhares de peças de artesanato, a maioria animais da fauna brasileira, a exemplo de macaco, cobra, preguiça, tucano, tatu, gambá, João de Barro, papagaio, arara, gavião, coruja, periquito, diversas espécies de pássaros pequenos, entre outros. Muitos deles são encontrados na região e contribuem para o desenvolvimento da sensibilidade artística do artesão.

As peças produzidas por Eduardo já ficaram expostas na Uesb, onde participou de entrevista à TV Uesb, e no centro da cidade, porém ele não possui um espaço na cidade para expor e vender essa mercadoria. Dessa forma, o que produz é comercializado na própria região, geralmente quando alguém passa em sua casa, no Povoado Jiboia, ao lado do Campo de Mota. O valor das peças depende do tamanho. “Faço mais por prazer porque as pessoas não dão valor e querem pagar pouco demais, tem peça que a gente passa o dia todo ‘briquitando’ pra vender por uma mixaria, pelo dinheiro não vale à pena, mesmo assim eu faço porque gosto”, afirma.

Para produzir o artesanato, Bispo utiliza uma madeira da região conhecida por Banha-de-galinha, é também chamada de Pacova-de-macaco. Segundo ele, é uma madeira mole e tem resistência centenária. Esse trabalho é feito nas horas vagas, geralmente à noite e nos finais de semana, porque durante a semana é trabalhador rural. Os objetos ficam em sua casa e dependurados nas árvores à espera de que alguém se interesse em adquiri-los.

Contador de histórias – Além de artesão, Eduardo Bispo é um grande contador de histórias. Parte dessa criatividade ele herdou dos mais velhos, principalmente da mãe, e outra dele mesmo, como a história do João de Barro Aleijadinho, um morador vizinho seu. “Lá em casa onde eu moro tem dois João de Barrinho, um aleijado e o outro sãozinho, mesmo assim o aleijadinho amassa seu barro com seu pé e seu biquinho e voa com suas asas para o seu ninho, coitado do João de Barro Aleijadinho que vai trabalhar a vida inteira sem ninguém aposentar o coitadinho”.



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