Serra do Marçal pode ganhar novo roteiro turístico com café, quitandas e sabores da zona rural
A Serra do Marçal pode estar diante de uma nova oportunidade para transformar suas belezas naturais, sua produção rural e seus sabores em um roteiro turístico com identidade própria. A possibilidade ganhou respaldo oficial com a publicação, no Diário Oficial do Município desta segunda-feira (14), da Lei nº 3.204/2026, que institui o Parque Turístico Ecológico do Marçal. A proposta é de autoria do vereador Márcio de Vivi (PT), morador da região.
A legislação prevê a criação de um roteiro turístico integrado, reunindo propriedades rurais, trilhas ecológicas e mirantes da Serra do Marçal. O objetivo é estimular o turismo ecológico, rural e gastronômico, ao mesmo tempo em que valoriza a biodiversidade e o patrimônio histórico das comunidades locais.
Uma rota pelos sabores da Serra
Um dos pontos que mais chama atenção na nova lei é a previsão de espaços dedicados aos produtos e às tradições da zona rural. Entre os equipamentos apontados estão a Casa do Café, Casa do Biscoito e das Quitandas, Casa do Vinho e dos Licores, Casa do Artesanato e Casa da Cachaça e dos Produtos Coloniais. Também prevê espaços voltados à preservação da memória e à valorização da produção sustentável, como a Casa da Memória Rural, Casa da Agroecologia e Casa das Abelhas e dos Polinizadores Nativos.
A gestão dos equipamentos poderá ser desenvolvida em cooperação com famílias rurais, cooperativas e associações, criando possibilidades de participação direta das comunidades na atividade turística. Na prática, a proposta aproxima o visitante de quem produz e transforma produtos e saberes da zona rural em parte da experiência turística.
Imagine um roteiro em que seja possível percorrer uma trilha, contemplar a paisagem de um mirante, conhecer uma propriedade rural e terminar o passeio com um café acompanhado de alimentos produzidos na própria região. É esse encontro entre natureza, produção, gastronomia, memória e cultura rural que pode dar ao Parque Turístico Ecológico do Marçal um diferencial.
Turismo além da paisagem
A Serra do Marçal já é conhecida pelas suas paisagens e pelo movimento de pessoas que passam pela região. A nova legislação abre a perspectiva de transformar esse potencial em uma experiência turística mais estruturada. Prevê ainda ações relacionadas à recuperação e valorização ambiental, incluindo trilhas, nascentes e áreas degradadas, reforçando a proposta de conciliar atividade turística e preservação.
Ao integrar propriedades rurais, trilhas, mirantes e espaços de comercialização de produtos locais, o parque pode criar uma cadeia que envolva diferentes setores e estimule novas oportunidades para quem vive e trabalha na região. Também coloca em evidência uma ideia cada vez mais presente no turismo: conhecer um lugar não apenas pelos seus cartões-postais, mas pelas pessoas, pelos sabores, pelas histórias e pelo modo de vida de quem vive ali.
Conquista começa a descobrir seu potencial turístico
A criação do Parque Turístico Ecológico do Marçal é, por enquanto, o marco legal de uma proposta que ainda precisará avançar para se transformar em realidade. A lei foi sancionada nesta segunda-feira, mas o desenvolvimento do parque dependerá das próximas etapas de implantação e regulamentação.
O importante é que aos poucos, Vitória da Conquista começa a olhar com mais atenção para um potencial que durante muito tempo ficou em segundo plano: o turismo. E talvez o mais interessante seja perceber que os atrativos já estão aqui — alguns conhecidos de todos, outros ainda esperando para serem descobertos. É o caso do Marçal, uma serra de paisagens, café, quitandas, artesanato, produtos coloniais e histórias de quem vive da terra. E agora, existe também uma lei que poderá transformar tudo isso em roteiro.
Foi assim com o Cristo de Mário Cravo, com a Catedral de Flores, a Lagoa das Bateias, o Orquidário e o Rancho da Pamonha, lugares e experiências que ajudam a contar diferentes histórias sobre a cidade. Natureza, gastronomia, paisagismo, cultura e arquitetura se misturam e formam um patrimônio que pode ser melhor aproveitado.
E há ainda a zona rural, com suas propriedades, paisagens, produção artesanal, gastronomia e tradições. É justamente essa diversidade que abre espaço para pensar em diferentes experiências turísticas — de um passeio pela natureza a uma visita para conhecer e experimentar aquilo que é produzido no próprio município.
Nesse cenário, a criação do Parque Turístico Ecológico do Marçal pode ser mais uma peça na construção de uma identidade turística para Vitória da Conquista. Não se trata apenas de criar um novo lugar para visitar, mas de começar a conectar aquilo que a cidade já tem e, muitas vezes, ainda não percebe como parte de um mesmo potencial.
Aos poucos, Conquista vai descobrindo que também pode ser destino em vez de apenas caminho para outros destinos.
A equipe do Blog entrou em contato com o vereador Márcio de Vivi, que ficou de falar sobre o que o motivou a fazer o projeto de criação do Parque Turístico Ecológico do Marçal, mas até a publicação do texto ele não tinha retornado. Quando isso ocorrer, o texto será atualizado.









