9 de outubro de 2018 às 19:01

Presidente de seção eleitoral esclarece episódio ocorrido no Colégio Luís Eduardo Magalhaẽs

Situação ocorreu no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, o maior local de votação da cidade

É sabido por muitos o que ocorreu numa das seções eleitorais do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Vitória da Conquista – BA, uma vez que após reportagem exibida ao vivo pela TV Sudoeste, fotos, vídeos e mensagens em blogs e portais viralizaram na rede de internet. Ocorre que as pessoas consideram tão mais fácil a atitude de julgar, criticar e acrescentar inverdades a toda história, sem ao certo saber o verdadeiro contexto.

Nestas eleições fui convocado para presidir uma seção eleitoral que coincidiu com o prédio escolar onde exerço o meu voto; em ano eleitoral anterior eu presidia uma seção no Colégio Estadual Carlos Santana. Ao chegar no Colégio Modelo às 6h55 me identifiquei recebi a urna e me dirigi para a seção na qual iria trabalhar como mesário. Fiquei surpreso com o estado em que a sala de aula se encontrava: muita sujeira e desorganização, já que segundo determinação do TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL os prédios escolares são cedidos para que se façam a devida limpeza e consequente organização dos espaços e ainda, conforme orientação dos Núcleos Territoriais de Educação, as aulas são dispensadas em alguns turnos na sexta-feira justamente para que se façam tais procedimentos de higienização.

Desse modo, mesmo não sendo obrigação constante nas funções de mesário tentei organizar a sala da forma que estava ao meu alcance, mas confesso que se eu tivesse disponível um pano de chão e detergente teria feito uma higienização mais adequada (quem me conhece sabe o quanto sou metódico e um tanto perfeccionista). Portanto, procurei dividir o tempo entre a organização da sala e os procedimentos iniciais da urna eletrônica, bem como a conferência dos materiais. Neste momento, confesso que observei uma poluição no quadro, onde existia o registro da aula de alguma disciplina ministrada, mas não me atentei ao conteúdo exposto me preocupando tão somente em deixar a seção preparada para o início das eleições. Meus colegas mesários começaram a chegar em torno de 7h25 e já encontraram muita coisa adiantada. Tivemos um tempo para conversar e alinhar algumas informações acerca de nosso trabalho a ser desenvolvido. Depois de imprimir a zerésima recebi fiscais de partidos que a assinaram e comprovaram a inexistência de votos para todos os candidatos. E em diversos momentos recebi a visita do pessoal da coordenação, que por vezes procurava saber se estava tudo tranquilo e de acordo com os procedimentos, noutras vezes passavam algumas informações. Em todo este período que precedeu o início do horário das eleições ninguém observou o conteúdo que existia no quadro branco. Ressalta-se que não é fornecido apagador para os mesários, uma vez que se espera encontrar todas as salas em condições adequadas para uso, o que inclui a limpeza do quadro.

Iniciado o horário das eleições, acredito que mais ou menos entre o terceiro e quinto eleitor que se apresentou para votar, a TV Sudoeste entra na sala para fazer uma transmissão ao vivo. E como não acredito em contos da carochinha e as emissoras adoram um furo de reportagem, a dedução que se faz, diante do contexto, é que certamente algum eleitor observou mais atentamente os registros do quadro, e ao invés de alertar à coordenação ou aos próprios mesários para que apagassem o conteúdo registrado, optou por uma denúncia para a TV, que tão prontamente, como fazem os urubus quando se sentem atraídos pela podridão da carniça, fizeram uma filmagem e ao final, agradeceram, deram um risinho e saíram sem nada dizer o que estava acontecendo. Todos acharam que se tratava de uma simples matéria sobre o processo eleitoral. Ledo engano!

É nesse momento em que vejo a maldade das pessoas e, sobretudo, sobre o discurso de ódio dos eleitores de certo candidato no qual declarei publicamente com uma imagem do perfil em rede social que não o apoiava.

O processo eleitoral estava transcorrendo normalmente, exceto pelo fato de muitas biometrias não serem reconhecidas após todas as tentativas, o que estava gerando aumento das filas. Por volta das 9h30 ou talvez um pouco mais tarde, recebemos a visita de um Promotor da Justiça juntamente com um coordenador, que solicitou um pedaço de papel; como não tínhamos, ele mesmo providenciou e começou a apagar o quadro. Foi neste momento em que ficamos estupefatos com a inscrição registrada no canto inferior esquerdo do quadro branco: #elenão. Todos se entreolharam, de fato, perplexos, se perguntando como ninguém, repito: absolutamente ninguém, desde a coordenação que estivera no colégio no dia anterior, passando pelos mesários e fiscais de partido.

Desse momento em diante ficou um clima tenso, passando pelas nossas cabeças o que poderia acontecer dali pra frente. Mas o processo eleitoral na seção prosseguia normalmente. Por volta das 10h15 chegam o Promotor de Justiça, acompanhado da Juíza Eleitoral, uma funcionária do Cartório Eleitoral, alguns coordenadores, policiais militares, policiais federais e delegados de partidos políticos.

A juíza, ao me perguntar se eu não tinha visto o que estava escrito no quadro respondi prontamente que diante de tantos afazeres que incluíram a organização da sala e apontei para o estado do piso

para que ela constatasse o estado de sujeira, não pude observar atentamente para o que estava escrito na lousa. E acrescentei que a falta de atenção foi de toda a equipe envolvida no trabalho naquele prédio escolar. Um dos mesários, que estava exercendo a função de secretário, só veio ter conhecimento dos fatos neste momento.

Nesse ínterim, muitos eleitores com suas câmeras celulares faziam vídeos e estavam incomodados com a interrupção dos trabalhos na seção. Posteriormente, chegaram mesários para substituir os que ali se encontravam, e às portas fechadas fomos todos revistados, inclusive nossos pertences pessoais, bolsas, mochilas, etc., na tentativa de encontrar algum piloto de quadro branco; verificada a inexistência de tal objeto, foi lavrada uma ata na qual estávamos sendo destituídos das funções designadas e fomos conduzidos pela Polícia Federal até a sala da coordenação, onde prestaríamos depoimento, situação em que gerou um burburinho e exaltação dos ânimos dos eleitores nos corredores que faziam filmagens com os celulares e gritavam “cadeia neles”. Na sala da coordenação, fiz questão, de pedir a palavra aos presentes, e de forma humilde, me desculpar perante os colegas mesários, pela falta de atenção, uma vez que eu era a autoridade maior enquanto presidente da seção.

Ressaltei mais uma vez que a falta de atenção se estendia a toda equipe da coordenação envolvida naquele prédio e chamei atenção sobre o estado de caos em que a sala foi entregue. Por fim, falei sobre o constrangimento que estávamos passando mas compreendia a necessidade de tal medida para a lisura do Processo Eleitoral. Fui o último a depor e só fui liberado próximo às 15 horas. Tratei logo de dar a notícia a meus pais, para que não soubessem de terceiros e de forma deturpada.

Confesso que ontem me mantive bem, recebi ligações e mensagens de apoio de diversos amigos que conhecem a minha índole e o meu caráter. Procurei levar na esportiva! Agradeço o companheirismo de Walter e das amigas Leniram e Ivana, que juntos fizemos uma folia acompanhando as apurações das eleições e pude fazer dos limões uma bela limonada! Ainda brinquei com os amigos dizendo que eu ficaria decepcionado e muito irado se a exposição na mídia tivesse sido com frase em apoio ao Bozo.

Mas chega um momento em que a tristeza abate, quando você escuta de uma pessoa conhecida, que diz possuir princípios Cristãos, a seguinte frase: ”Bem feito! Tomara que seja preso!”, aí confesso que dói como um golpe profundo de punhal. Nesse momento o coração fraqueja e me pergunto o que verdadeiramente vem acontecendo com a humanidade.

Será que tanto esta pessoa conhecida que relatei e que se declara eleitora do Capiroto, como a pessoa que fez a denúncia para a TV Sudoeste (que também presumo que o seja eleitor do mesmo citado acima) só tem maldade no coração para oferecer? Seria tão fácil se o eleitor que identificou a anotação no quadro alertasse para os mesários ou equipe de coordenação que apagassem sem necessidade de  todo esse sensacionalismo que prejudicou ou poderá prejudicar mais ainda a vida de cidadãos de bem, que se colocaram à disposição para executar suas funções da melhor maneira possível. Será que essas pessoas só carregam um ranço de ódio, preconceito, maledicência e, sobretudo, ausência de princípios éticos, morais, e ainda, o desrespeito aos direitos de “ser humano”, meu Deus? Chega um dia em que as cortinas se abrem, as máscaras caem e no cenário da vida real as pessoas se desnudam e mostram o seu verdadeiro eu. A impressão que se tem é que todo esse ódio irracional de uma parcela da sociedade contra outros decorre da ideia de se sentirem superiores, quando na verdade são inseguros de si próprio. Lamento pelas pessoas que só tem a oferecer todo o lixo que vem alimentando dentro de si. Não irei me preocupar com as pedras que me arremessam, pois ao final, vão perceber que tenho uma vidraça blindada e mesmo que nelas se formem muitos riscos ou arranhões, não me importarei, servirão para lembrar da fé inabalada e da confiança no Mestre Maior, que nos inspira para continuarmos firmes nos ideais de luta e nas convicções políticas.

Espero, contudo, que possamos trabalhar no Segundo Turno das Eleições, pois, caso contrário, entenderíamos que se trata tão somente de uma punição por algo que não cometemos. Para nós (eu, juntamente com meus colegas mesários) será uma questão de honra voltar à 176a Seção Eleitoral, de cabeças erguidas, para exercemos nossas respectivas funções.

Lamentável, detestável e desprezível a atitude da TV Sudoeste, que insistiu em exibir a matéria hoje, ao meio dia, mesmo assumindo que tiveram o conhecimento (quando entrei em contato, via telefone) por meio do delegado, que nenhum de nós estava portando piloto e que ficou claro a ausência de autoria do crime. Esperei uma retração mas ouvi simplesmente: “compreendo sua situação…”

Por fim, agradeço a Deus, porque enquanto professores que somos, temos o piloto como instrumento de trabalho e, se porventura, eu estivesse portando dentro da nécessaire que levei para a Seção Eleitoral, como iria me justificar ou me defender de tal ação impensada e inconsequente do denunciante? Que sejamos mais fraternos e tenhamos mais discernimento na tomada de decisões!

Votos de mais paz e amor no coração de todos!
Robson Dantas Alves
Vitória da Conquista – Ba, 08 de outubro de 2018.



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