9 de janeiro de 2019 às 20:07

Onda de violência chega a uma semana no Ceará com mais de 172 ataques, medo na população e Força Nacional nas ruas

Força Nacional reforça a segurança no Ceará após série de ataques criminosos — Foto: Thiago Gadelha/Sistema Verdes Mares

A série de ataques criminosos contra ônibus, bancos, prefeituras, comércios e prédios públicos que atinge Ceará completou uma semana. Desde quarta-feira (2), o G1 contabilizou 172 ataques em 42 dos 184 municípios cearenses. Para tentar conter a onda de violência em Fortaleza e no interior, o estado recebeu o reforço de tropas da Força Nacional e de policiais da Bahia. O governador Camilo Santana anunciou que 21 membros de facções criminosas presos no Ceará foram transferidos para presídios federais após os ataques.

Resumo

Membros de facções criminosas atacaram veículos da frota de ônibus, bancos, postos de saúde, prédios públicos e privados e veículos utilizados em serviços como Correios e coleta de lixo.

Em pichações, os criminosos pedem a saída do secretário da Segurança Penitenciária, Mauro Albuquerque, que prometeu acabar com a entrada de celulares nos presídios e com a divisão nas unidades conforme a facção a que cada preso pertence.

Foram 172 ataques em 42 cidades desde quarta-feira (2). Criminosos incendiaram pelo menos 31 ônibus, quatro delegacias e cinco postos de combustível. Também foram usados explosivos em um viaduto e duas pontes na Grande Fortaleza. Na BR-020, um viaduto recebe escoras e está bloqueado para o tráfego de veículos. Os policiais prenderam 215 suspeitos.

Criminosos que estão presos afirmam não aceitar a proposta do secretário de acabar com a divisão das facções no sistema penitenciário. Atualmente, cada presídio do Ceará recebe detentos de uma única organização criminosa. Os presos ordenaram que comparsas fizessem uma série de ataques para que o Governo do Estado recuasse das medidas.

O governo respondeu que não iria “recuar um milímetro” das medidas contra organizações criminosas. Para combater a onda de ataques, o governador do Ceará, Camilo Santana, pediu apoio ao Governo Federal e ao governador da Bahia, Rui Costa, que enviou 100 policiais militares baianos ao Ceará.

Trezentos agentes da Força Nacional foram enviados ao Ceará na sexta-feira (4), e começaram a atuar no dia seguinte. Os ataques permaneceram, e o Ministério da Justiça anunciou o envio de mais 200 agentes. A Força Nacional atua principalmente em Fortaleza e Região Metropolitana, que concentram cerca de 80% dos ataques. Eles formam blitz em “vias estratégicas”, já que a maior parte dos ataques são cometidos por criminosos em veículos.

No sexto dia de ataques, após ameaça das facções, comerciantes fecharam as portas em algumas regiões da periferia de Fortaleza e Região Metropolitana. Três foram presos pelas ameaças. O transporte público também funciona com frota reduzida e com policiais militares embarcados.

Nos bairros onde os ataques foram mais comuns também foram suspensos os serviços de coleta de lixo e de entrega de postagens. A consequência foi diversos pontos de lixo espalhados por bairros da capital. //G1 Bahia



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