30 de abril de 2018 às 0:11

MST volta a ocupar fazenda de Geddel na região de Itapetinga

Policiais militares encontram-se no local para evitar conflitos

A fazenda Vale do Caraim, de propriedade do ex-ministro e ex- deputado federal Geddel Vieira Lima (MDB), na região de Itapetinga, a 509 km de Salvador, está ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), desde as primeiras horas deste domingo, 29.

Dez funcionários estão no local e, segundo o gerente do imóvel, Valério Sampaio, a comunicação com eles foi cortada. Maior das 12 fazendas de Geddel, a Vale do Caraim possui 1.867 hectares, represas, quatro casas para trabalhadores e energia elétrica.

Na escritura, registrada no cartório do município no dia 14 de julho de 1999, Geddel e seus dois irmãos não declaram o valor de compra, o que não é obrigatório. A avaliação oficial era de R$ 420 mil à época.
A coordenação do MST ainda não se posicionou sobre a ocupação.
Valério Sampaio, por sua vez, disse que registrou queixa na Coordenadoria Regional de Polícia, em Itapetinga e que solicitou apoio da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), também naquele município.

A ocupação do MST foi registrada, ainda de acordo com Sampaio, por volta das 5 horas. Pelo menos 40 pessoas ligadas ao movimento estão na área do imóvel, a 8 km do entroncamento que liga as cidades de Itapetinga, Macarani e Maiquinique.
“Fica logo após a ponte, na primeira cancela à esquerda”detalhou o gerente, que não relatou casos de danos ao patrimônio ou agressão física. “Os funcionários da fazenda em Maiquinique mantiveram contato comigo no começo da manhã deste domingo, informando que pelo menos quarenta pessoas ocuparam a sede da fazenda”.
Desde então Valério garante não conseguir manter contato com os funcionários da referida propriedade invadida. A PM informou que deslocou prepostos para o local para observar o cenário da ocupação.
Em dezembro do ano passado e abril deste ano índios ocuparam a Fazenda Esmeralda, também pertencente a Geddel. Em seguida, outro grupo invadiu a Tabajara, em Potiraguá e também pertencente aos Vieira Lima. Os ocupantes eram um grupo de homens e mulheres que disseram ser do MST e com ligações com o desconhecido Movimento Livre da Terra (MLT). A polícia cumpriu reintegração de posse.

OUTRAS FAZENDAS

Geddel possui 12 fazendas. Além da Caraim, a Fazenda Caçapava, em Ibicuí (531 km de Salvador), foi adquirida em 28 de janeiro de 99, foi vendida por Settimio Santos Orrico e sua mulher, Nildete Mussi Orrico, por R$ 400 mil à época.
A área de 1.756 hectares, contudo, foi avaliada pela Prefeitura de Ibicuí em R$ 746.300,00. Em Itororó, Geddel e seus irmãos compraram três fazendas. A Sossego e Ipiaí, de 233 hectares, custaram, juntas, R$ 80 mil.

O preço de avaliação registrado na escritura aponta o valor de R$ 116.827,45. A diferença na Tabajara, de 775 hectares, é ainda maior. Comprada por R$ 225 mil em novembro de 97, a área é avaliada em R$ 650 mil. Segundo o cartório do município, os pais de Geddel foram os responsáveis pelo pagamento das três propriedades. O pai de Geddel (Afrísio, já falecido), aparece como proprietário de uma fazenda, em Potiraguá, de 214 hectares.

RIQUEZA ACUMULADA

Entre 1995 e 2000, Geddel Vieira Lima, comprou pelo menos cinco fazendas no interior da Bahia, com preços abaixo do valor de mercado. À época, o parlamentar declarou ter pagou cerca de R$ 1,19 milhão pelas terras -o preço de mercado seria de pelo menos R$ 2,79 milhões.

As compras foram feitas, em sua maioria, por ele e seus dois irmãos. Em média, a família declarou – na data da compra – ter pago R$ 255 por hectare comprado. Segundo a superintendência do Banco do Brasil em Salvador, que faz avaliação de terras para firmar contratos, o preço mínimo do hectare na região das fazendas era de R$ 600. Atualmente oscila entre R$150 e R$320 mil.

Segundo corretores e prefeituras, que avaliam a terra para tributação, o valor poderia ser mais alto: entre R$ 750 e R$ 1.000 por hectare. Os R$ 255 por hectare referem-se a cinco áreas compradas num espaço de 20 meses -novembro de 97 a julho de 99. Os valores atualizados ultrapassam a cifra de milhões de reais.

Geddel e seus irmãos, Afrísio de Souza Vieira Lima Filho e Lúcio Quadros Vieira Lima, também compraram outras quatro áreas em 1995. Todas as fazendas somam 4.640 hectares. “Um hectare declarado por Geddel deve ser encarado como uma verdadeira pechincha”, disse um fazendeiro da região que avalia terras.

“Os preços não batem com a realidade”, disse. Das nove fazendas, Geddel somente não declarou o valor de compra de uma, a Vale do Caraim, em Macarani. Ele pode ter cometido crime contra a ordem tributária, que prevê pena de até cinco anos de prisão, além de multa.

Segundo a Receita Federal, o objetivo da subavaliação pode ser sonegar Imposto de Renda e o ITBI (Imposto de Transição de Bens Imóveis), cujo preço varia de acordo com o valor da operação.
Dentre os imóveis, cinco aquisições feitas pela família coincidiram com o período em que o pai de Geddel, Afrísio de Souza Vieira Lima, assumiu a presidência da Codeba (Companhia das Docas do Estado da Bahia, em agosto de 95), e Geddel, a liderança na Câmara.

Na época em que comprou as outras quatro fazendas -Brasileira, São José, Bela Vista e Esmeralda-, Geddel já era deputado. Além das fazendas, a família comprou em 99 uma casa no loteamento Condomínio Parque Interlagos, um dos mais luxuosos de Salvador, por R$ 450 mil. // Sudoeste Digital



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