14 de maio de 2018 às 19:01

Indenizações por morte no trânsito têm alta de 30% na Bahia

Acidentes com moto lideram ranking

O número de indenizações do seguro DPVAT pagas por morte no trânsito na Bahia cresceu cerca de 30% entre 2016 e 2017. Os registros saltaram de 2.275 ocorrências para 3.006. Este ano, de janeiro até abril, 849 famílias – sete por dia – já receberam a indenização por causa do óbito de um parente, vítima de acidente no trânsito.

Houve aumento também no quantitativo de casos de indenizações pagas para despesas médicas que saiu de 2.623 registros, em 2016, para 3.442, em 2017. Em 2018, foram computados 1.152 ocorrências. O mesmo ocorreu com os casos de invalidez permanente, cresceu de 12.161 para 12.361 na comparação 2016-2017. Este ano, já foram pagas 3.723 indenizações por este motivo.

Existente desde 1974, o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, mais conhecido como Seguro DPVAT, indeniza vítimas de acidentes de trânsito, sem apuração de culpa, podendo ser motorista, passageiro ou pedestre, em três categorias: morte, invalidez permanente e reembolso de despesas médicas e hospitalares.

A responsável pela administração do benefício é a seguradora Líder-DPVAT, um consórcio formado por várias empresas. Porta-voz dela, Arthur Froes afirmou que não tem informação de forma categórica para explicar possíveis motivos para o aumento das indenizações pagas na Bahia.

Exceção

De 2013 até 2016, as indenizações pagas por morte no trânsito apresentaram redução. A diferença ocorreu entre 2016 e 2017. “Ao contrário da Bahia, o cenário do Brasil tem sido de queda tanto nas indenizações por morte quanto nas por invalidez permanente”, ressaltou.

Segundo ele, o que tem provocado reduções no país são ações de governo relacionadas à Lei Seca, à instalação de radares, entre outros. “São fatores coibidores do excesso de velocidade e da imprudência. A principal causa dos acidentes continua sendo a imprudência, a falta de consciência e o não uso de esquipamentos de segurança”, acrescentou.

Para ele, é necessário que ações relevantes sejam reforçadas como campanha contra embriaguez e as fiscalizações da Lei Seca, além da instalação de radares e ações das montadoras com instalação de alarmes sonoros para cintos traseiros. “Outro fator é o uso do celular ao volante, que é uma causa recorrente e que tem apresentado forte crescimento. Isso precisa ser evitado para que possamos reduzir as mortes e os casos de invalidez”.

Acidentes com moto lideram ranking

Em 2017, a maior parte dos acidentes que geraram o pagamento do seguro DPVAT (74%) envolveu motocicletas, segundo dados da seguradora responsável pela administração do benefício. “A motocicleta sempre foi a mais frequente nos acidentes. Mas nos últimos dez anos houve um crescimento da frota de motocicletas no Brasil. Em alguns estados, cresceu mais de 100%”, ressaltou o porta-voz da Líder-DPVAT, Arthur Froes.

O diretor de Educação e Segurança para o Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), Carlos Moura, explicou que existem vários fatores que contribuem para as motocicletas figurarem como o principal tipo de veículo envolvido. Dentre eles, apontou: o conhecimento técnico do veículo, o não respeito às leis e a facilidade para transitar.

“Os motociclistas não deveriam ficar circulando entre os carros e deveriam seguir a faixa de trânsito. Uma coisa é a ultrapassagem. Outra é circular no corredor entre os carros. Além disso, alguns não usam capacete, as técnicas de pilotagem, de frenagem e nem respeitam o limite de velocidade”, listou Carlos Moura. Segundo ele, 39% dos óbitos de acidentes de trânsito envolvem motocicletas.

Na opinião da presidente da Associação dos Motociclistas do Estado da Bahia (AMO-BA), Maria Júlia Rezende, não é possível adotar a pratica de andar atrás dos carros. “Sobre o fato de ter que andar atrás do carro, não justificaria ter moto porque o veículo é para facilitar a vida no trânsito”.

No entanto, ela disse que concorda que há “muita imprudência”. “Tenho moto há 38 anos e passo no corredor com segurança. Há alguns que passam de qualquer jeito, avançam o sinal. Os órgãos de trânsito precisam investir mais na educação do trânsito”, finalizou. //A Tarde



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