14 de maio de 2018 às 19:06

Enxaqueca pode ser transmitida geneticamente, diz cientistas

A enxaqueca é caracterizada por dores em um lado da cabeça, além de náuseas e sensibilidade à luz

Segundo a Fundação Americana de Enxaqueca, se pelo menos um dos pais tem enxaqueca, a chance de o filho desenvolvê-la pode chegar a 75%. Assim, cientistas da Universidade Helsinki e do Instituto Broad, que reúnem cientistas da Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, fizeram um estudo sobre o assunto, para entender porque algumas famílias são mais suscetíveis a enxaquecas e como a genética pode influenciar o tipo de dores que sentem.

Os resultados foram publicados na revista Neuron. Os pesquisadores da Helsinki entrevistaram mais de 59 mil pessoas e descobriram 40 variantes genéticas que aumentam o risco de apresentar o problema. A partir dos resultados, eles criaram uma pontuação com o risco genético de enxaqueca para avaliar a predisposição genética de uma pessoa para desenvolver o transtorno, e os tipos mais comuns.

Padhraig Gormley, do Instituto Broad, principal autor do artigo, diz que tanto as variações genéticas raras e de alto impacto quanto as mais comuns, com impacto menor, podem contribuir para a agregação da enxaqueca numa família. “Nesse estudo, nós queríamos encontrar quais são mais importantes, e se a carga genética é mais alta em alguns tipos do transtorno”, diz.

A partir do mapeamento, o estudo descobriu que todos os casos familiares são resultado da combinação de diversas variantes que se acumulam ao longo do tempo, independentemente do tipo de enxaqueca que apresentam. “Nossa maior surpresa foi que, em famílias com muitos casos de enxaqueca, parte significativa do risco genético é causada por variantes comuns, as mesmas que conferem o risco da doença no resto da população”, diz Aarno Palotie, coautor do estudo e pesquisador do Instituto de Medicina Molecular da Finlândia.

Um dos pontos positivos é descobrir quais genes são mais importantes para a formação do quadro, para poder criar medicamentos mais eficientes. “Sempre houve a suspeita da hereditariedade da enxaqueca, e o estudo comprova que existe uma composição genética pelo menos nas formas mais severas e induzem sintomas similares ao de uma paralisia em um lado do corpo”, explicou Célia Roesler, diretora da Sociedade Brasileira de Cefaleia, ao jornal O Globo.

A doença

A enxaqueca é caracterizada por dores em um lado da cabeça, além de náuseas e sensibilidade à luz. A duração da crise varia de 4 até 72 horas. Segundo o Ministério da Saúde, de 5 a 25% das mulheres e 2 a 10% dos homens têm enxaqueca. Estima-se que 1 em cada 7 pessoas no mundo sofre de enxaqueca. As crises associadas a ela são classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doenças debilitantes tão graves quanto a psicose e a demência.

O tratamento começa pela prevenção dos fatores desencadeantes, como na enxaqueca tradicional. “Falta de sono, estresse, excesso de atividade física, ingestão de chocolate, queijos e de alimentos que contêm substâncias como nitritos e glutamato monossódico são fatores que podem levar às crises”, conclui a neuropediatra Andrea Weinmann.



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