21 de outubro de 2017 às 12:18

Corpos de estudantes mortos a tiros por colega são velados sob comoção em Goiânia

João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes

É grande o clima de comoção no velório dos estudantes morto em Goiânia. Os corpos dos estudantes João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, ambos de 14 anos, são velados em cemitérios da cidade. Os adolescentes foram mortos a tiros por um colega, filho de policiais militares, que efetuou 13 disparos em uma sala de aula do Colégio Goyases, na sexta-feira (20). Outras quatro pessoas ficaram feridas.

O adolescente atirou contra os colegas no fim da manhã de sexta-feira dentro da sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera. Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o adolescente de 14 anos autor dos disparos disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. Ele é filho de policiais militares, pegou a pistola .40 da mãe e levou para a unidade educacional.

“Ele ia matar todo mundo. Levou dois carregadores para a escola. Descarregou o primeiro, carregou o segundo, deu um tiro, mas foi abordado pela coordenadora. Ele pensou até em se matar, apontou a arma para a cabeça, mas ela o convenceu a travar a arma”, disse ao G1.

Funcionários da escola levaram o autor dos disparos para a biblioteca para aguardar a chegada dos policiais. Ele foi apreendido e levado para a Depai, onde contou que atirou primeiro contra João Pedro porque ele fazia bullying com o suspeito.

Escola

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sepe) de Goiânia junto ao Conselho Estadual informou à TV Anhanguera, por meio de nota, nesta sexta-feira, que estão dando todo apoio à escola e aos parentes dos alunos da instituição.

Ainda conforme os órgãos, representantes foram até o colégio, conversaram com professores e direção e apuraram que o estudante autor dos disparos não apresentava comportamento suspeito. O texto destaca que as aulas no Colégio Goyases estão suspensas sem previsão de retorno.

Vigília é realizada na porta da escola onde dois estudantes morreram e quatro ficaram feridos após tiros (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

 Vigília

No início da noite desta sexta-feira, pais, alunos, funcionários e professores da escola começaram uma vigília na porta da instituição onde o atentado aconteceu.  Várias pessoas se mobilizaram no local acendendo velas e fazendo orações. A professora Sandra Oliveira Santos esteve no local para participar das homenagens e contou que todos ainda estão muito abalados com o ocorrido. “A gente ainda está meio assustado. Você não sabe se fica com mais piedade daquele que realmente cometeu o ato ou daqueles que foram vítimas”, disse.

Feridos

Além dos dois adolescentes mortos, quatro colegas ficaram feridos. O pai da estudante Marcela Rocha Macedo, de 13 anos, trabalha na escola e viu a filha baleada. Ele conta que chegou a temer pela própria vida. “Ele [adolescente] apontou a arma para mim. Achei que ia morrer”, disse o auxiliar administrativo Mauri Aragão.

O estudante Yago Marques, de 13 anos, também ficou ferido. Apesar de estar baleado, o garoto gravou um vídeo dizendo que está se recuperando bem do “susto”. O pai dele, Tiago Barbosa Gomes, contou que levou o filho e outra estudante no próprio carro até o hospital. A mãe de Hyago, Andréa Marques, conta que, segundo seu filho, não houve qualquer briga que motivasse os tiros.

Dos quatro feridos, três foram levados para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) e um foi encaminhado para o Hospital dos Acidentados, ambos na capital.  // Informações e fotos do G1

 



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