5 de julho de 2019 às 15:51

Bolsonaro defende trabalho infantil: ‘Não atrapalha ninguém’

Apesar da fala, presidente disse que não propõe descriminalização para não ser ‘massacrado’

Apesar da fala, ele disse que não propõe descriminalização para não ser ‘massacrado’
O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quinta-feira (4), em transmissão ao vivo, o trabalho infantil. Usando sua própria experiência, ele afirmou que não foi “prejudicado em nada” por ter colhido milho em uma fazenda de São Paulo aos “nove, dez anos de idade”. Ele disse que o trabalho dignifica o homem e a mulher, “não interessa a idade”. Apesar da fala, Bolsonaro disse que não apresentaria nenhum projeto de lei no sentido de descriminalizar a prática porque sabia que “seria massacrado” se o fizesse.

Bolsonaro estava ao lado do secretário nacional de Pesca e Aquicultura, Jorge Seif Junior, falando da sua experiência como pescador, quando foi questionado se considerava essa sua primeira profissão. “Posso confessar agora, se bem que naquele tempo não era crime”, afirmou. “Lembro perfeitamente que uma das coisas que se plantava lá, além de banana, era milho. E naquele tempo para você cortar o milho, você não tinha que chegar na plantação e pegar. Tinha que quebrar o milho. Tinha que colocar o saco de estopa no brasço. E eu com nove, dez anos de idade quebrava milho na plantação e quatro, cinco dias depois, com sol, você ia colher o milho”.

Depois, ele imitiou um crítico: “Olha só, trabalhando com nove, dez anos de idade na fazenda”. Em seguida, continuou como que respondendo. “Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar tá cheio de gente aí “trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil”. Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada”. Para ele, o trabalho “não atrapalha a vida de ninguém”. Mas o presidente concluiu sobre o tema afirmando que não buscará intervir na legislação sobre o assunto. “Fiquem tranquilos que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil porque eu seria massacrado. Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, oito, nove, dez, doze anos, trabalhava na fazenda. Trabalho duro”. //Correio da Bahia



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