POLITICA

Baiano cria bebida nutricional para diabéticos e anêmicos; aprenda a receita

Líquido é feito a partir do fruto do jatobá, que também serve para o preparo de bolos e biscoitos

Um estudante de técnica agropecuária da cidade de Barreiras, no oeste da Bahia, desenvolveu uma bebida nutricional a partir do fruto do jatobá que equilibra os níveis de açúcar no sangue de pessoas com diabetes, além de ter potencial para combater a anemia. A criação é de Diogo de Souza Regis, de apenas 17 anos.

Na pesquisa desenvolvida no ano passado, durante um trabalho de iniciação científica, seis pessoas com diabetes apresentaram maior equilíbrio dos níveis de açúcar no sangue após consumirem, em média, 250 ml da bebida durante três vezes ao dia.

Os resultados foram considerados muito animadores, sobretudo porque, na região, o fruto do jatobá, árvore do Cerrado, é subutilizado – apenas comunidades tradicionais e índios o aproveitam para fazer uma farinha que substitui a de trigo, na produção de bolos e biscoitos.

O fruto do jatobá é rico em diversos nutrientes: cálcio, fósforo, ferro, potássio, magnésio e vitamina C. Em comunidades tradicionais indígenas, ele também é considerado como um energético natural para potencializar o desejo sexual dos homens.

Mesmo com tantos benefícios, sua utilização nas cidades baianas é praticamente nula. A árvore, presente também em outras variedades na Mata Atlântica e na Amazônia, é conhecida por ser uma madeira de lei – que dura bastante – e é usada no reflorestamento de zonas degradadas.

Fruto jatobá tem muitas propriedades nutricionais (Foto: Reprodução)

Diogo, que é estudante do terceiro ano do curso de técnica agropecuária do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Grande (Cetep), conta que costumava ver muitos jatobás no bairro Morada Nobre, vizinho ao Barreirinhas, onde mora. No local, os frutos apodreciam no chão. Foi a partir daí que ele teve a ideia de utilizá-los.

Agora, os frutos são coletados para dar continuidade à pesquisa do estudante, que trabalha no desenvolvimento de outros produtos, mas à base da farinha do fruto do jatobá.

O fruto possui um cheiro forte, bem característico. Ele não pode ser colhido verde, pois não amadurece depois, então, é necessário esperar cair do pé.

O jovem pesquisador já apresentou a bebida na Feira Naconal da Agricultura (Fenagro), em Salvador, no ano passado; na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, também em 2018; no Work Shop de Carreiras do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), este ano em Barreiras; e será apresentada na Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (Fenecit), em Recife-PE, entre 8 e 12 de outubro.

Além do Cetep de Barreiras, a pesquisa tem apoio da Faculdade São Francisco de Barreiras (Fasb) e Secretaria da Educação do Estado (SEC).

Orientadora da pesquisa, a engenheira agrônoma Wilka Miranda informou que o estudo está em desenvolvimento e ainda será feito o levantamento sobre as quantidades de minerais no fruto do jatobá. Por enquanto, foram realizadas pesquisas sobre a acidez e sólidos solúveis totais, presentes na polpa do fruto.

“Tomara que essa pesquisa e a divulgação que está ocorrendo com ela possa colaborar para que as pessoas plantem mais jatobás, porque isso será muito bom, já que é uma árvore que pode durar décadas. Ela começa a produzir com cinco anos de plantada. É algo que já está aí na natureza, só precisa ser melhor aproveitada”, comentou.