14 de julho de 2018 às 21:46

Em oito anos, Bahia é o estado do Nordeste que mais perdeu leitos no SUS

De acordo com o CMF, cerca de 12 leitos de internação deixam de atender pacientes pelo SUS diariamente

De acordo com último levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a Bahia, de todo o Nordeste, foi o estado que mais sofreu perdas de leitos de internação – destinados a quem precisa permanecer num hospital por mais de 24 horas – no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2010. Segundo o relatório, o número caiu de 25.132 para 23.216, exatos 1.916 a menos.

Abaixo da Bahia aparecem Paraíba e Pernambuco, com queda de 1.286 e 1.226 leitos, respectivamente. Segundo o estudo, no estado baiano as especialidades que mais sofreram com menos vagas hospitalares nos últimos oito anos foram pediatria (-951), obstetrícia (-737) e cirurgia (-336).

Em âmbito nacional, de acordo com o CMF, cerca de 12 leitos de internação deixam de atender pacientes pelo SUS diariamente. Só nos últimos dois anos, mais de oito mil unidades dessa natureza foram desativadas. Desde 2010, esta perda para o Brasil atingiu o patamar de 34,2 mil.

“A população cresceu e o número de leitos não é proporcional. Isso causa um impacto imensurável no estado”, comentou a presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Teresa Maltez.

Segundo Teresa, essa diminuição em leitos hospitalares está ligada a diversas questões, uma delas é a financeira. “A melhoria das tabelas de remuneração do SUS é extremamente importante porque muitos setores não conseguem se manter com os valores praticados sem reajuste há muitos anos”.

Segundo Carlos Vital, presidente do CFM, as informações que revelam o impacto do mau uso das verbas e da má gestão administrativa do sistema serão encaminhadas ao Congresso Nacional, Ministério Público Federal (MPU) e Tribunal de Contas da União (TCU).

Resposta

Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) alega desconhecer a metodologia da pesquisa e afirma ter ocorrido significativo aumento da oferta de leitos públicos destinados ao SUS no período citado.

Segundo a secretaria, considerando os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), “o poder público estadual e municipal acrescentou mais de mil novos leitos ao SUS no comparativo entre dezembro de 2010 (15.161) e maio de 2018 (16.274)”.

Segundo Teresa, nem 20% dos pacientes que esperam por transferências para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) conseguem. “A população sente esta perda nas filas, pois acaba ficando internada em UPAs pela falta de leitos hospitalares. Como consequência, um grande número de pacientes que aguardam pela regulação acaba morrendo”, disse.

A regulação consiste em prover, a partir da identificação da necessidade do usuário, os recursos para a assistência à saúde no tempo oportuno. Adelaide Magalhães, moradora de Plataforma, é um exemplo de quem teve perda na família devido a casos de espera malsucedidos.

De acordo com Adelaide, há três anos, sua cunhada sentiu uma dor forte na cabeça e desmaiou. “Fomos imediatamente à UPA, porém precisava realizar exames para um melhor diagnóstico e ela ficou internada”, disse.

“Passaram-se dois dias, uma semana, e nada. Meu irmão acionou o Ministério Público e conseguiu liminar para a transferência imediata, mas já era tarde. No hospital, foi constatada a morte cerebral”, lembrou. //A Tarde



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