20 de maio de 2019 às 18:28

Ao elevar ao máximo pressão sobre Irã, Estados Unidos criam risco real de catástrofe

Donald Trump busca desde o começo de seu mandato asfixiar o país persa com sanções econômicas

Consultores de segurança internacional e pesquisadores ouvidos por ÉPOCA são unânimes ao apontar a estratégia americana de pressão máxima sobre Teerã como responsável pelo escalonamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Sob os conselhos de assessores agressivos, o presidente americano, Donald Trump, busca desde o começo de seu mandato asfixiar o país persa com sanções econômicas na expectativa de, ao devastar a economia do rival, conseguir impor condições unilaterais ou, ainda melhor, provocar uma mudança de regime.

Diante disso, com a previsão de ver o PIB encolher 6% em 2019 e sem obter nenhum resultado do acordo nuclear assinado por Barack Obama em 2015 e revogado por Trump em abril de 2018, os líderes iranianos se veem sem opções exceto retaliar. Isso se manifestou em ameaças de se retirar do pacto nuclear e de fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo global. Ao tomar estas atitudes, entretanto, o país é ainda mais intimidado pela Casa Branca, que se aproveita da reação para justificar a alegação de que o adversário é um elemento desestabilizador da ordem global.

“Não há nenhuma dúvida de que o governo Trump é o condutor desta escalada. Foram eles que dobraram as apostas e adotaram uma estratégia de pressão máxima”, afirma Ali Vaez, diretor para o Irã do International Crisis Group, centro internacional de prevenção de guerras. “Eles provocaram o Irã a tomar medidas em retaliação, o que é esperado e totalmente previsível”.

A escalada contra Teerã acentuou-se no dia 22 de abril, quando a Casa Branca decidiu estender sanções ao petróleo iraniano contra todos os clientes que restavam do país. A decisão se somou a uma designação prévia da Guarda Revolucionária Iraniana — o Exército nacional do país — como um grupo terrorista, medida inédita no mundo, e ao posterior anúncio do envio de um frota militar ao Oriente Médio.

//istoé



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