Sessão Solene marca comemorações pelo Dia da Consciência Negra
O Dia da Consciência Negra – comemorado em 20 de novembro – foi celebrado pela Câmara Municipal de Vitória da Conquista com uma sessão solene realizada na noite de sexta-feira. O evento faz parte do calendário regimental da CMVC, sendo instituído por meio da Lei Municipal N° 002/2008.
Para composição da mesa foram convidados o prefeito Guilherme Menezes, representado pelo secretário de Educação, Valdemir Dias, Elizabeth Moraes, coordenadora de Promoção da Igualdade Social, o coordenador municipal de Políticas de promoção da Cidadania e Direitos LGBT, Danilo Bittencourt, e o representante de Matrizes Africanas, Pai Lôro. A sessão foi presidida pelo presidente da Câmara, Gilzete Moreira (PSB), que contou ainda, na mesa, com os vereadores Cícero Custódio (PV) e Júlio Honorato (PT).
O vereador Júlio destacou os avanços conquistados em direção à igualdade racial, mas afirmou que ainda há muito a se conquistar, principalmente no que diz respeito ao preconceito contra as mulheres, contra o negro e contra os homossexuais. “O Dia da Consciência Negra é um dia de se voltar contra as práticas da intolerância religiosa, da violência contra mulheres e contra homens quilombolas que lutam por um pedaço de chão, do genocídio da juventude negra e contra a sociedade”.
Cícero Custódio lamentou o preconceito contra negros e outros segmentos da população brasileira, como índios e deficientes. Ele disse que lembrou que a intolerância acontece em todos os setores da sociedade e que ele próprio já foi alvo de discriminação ao tentar fazer compra em determinados estabelecimentos. Segundo Cícero, ele foi tratado rispidamente numa concessionária por trajar roupas simples e ser negro.
Elizabeth Moraes, coordenadora de promoção da igualdade social, lembrou que a data é uma oportunidade para se comemorar Zumbi dos Palmares, importante líder quilombola e guerreiro na luta contra a escravidão. “Essa data ainda é bastante incômoda e de difícil compreensão para uma parcela da população”, relatou. No entanto, a coordenadora lembrou que embora Zumbi seja uma figura histórica importante, “ainda nos falta recordar os nomes das mulheres que também resistiram como lideranças de quilombos e revoltas na luta contra o racismo e a escravidão, como Dandara dos Palmares, Tereza de Benguela, Fulô do Panela, Maria Felipa, entre outras”.
Pai Lôro, representante de Matrizes Africanas, ressaltou que a luta pela igualdade racial não é nova e destacou o papel das religiões de matrizes africanas. “Eu venho de uma religião de resistência, de força, de beleza, de poder e de exemplo. Nós não acatamos o preconceito, porque eu sou um homem considerado de pele branca, mas fui escolhido, agraciado pelo orixá para ser babalorixá”, disse. Para ele, a fé fala mais alto. “O povo de santo, além de sofrido, prevalece na sua fé, no seu otimismo e na sua luta”, falou.
Homenagens

Maria de Lourdes Silva Aguiar, nasceu em Livramento de Nossa Senhora, da comunidade remanescente de quilombo Riacho das Pedras, Bananal e Barra
Durante a sessão, várias homenagens foram prestadas pela Câmara, com entrega de placas a várias lideranças, tais como: Maria das Graças Alves de Souza, 51 anos, policial rodoviária federal. Ela é coo-fundadora e presidente do Movimento Cultural Ogun Xorokê; Lúcio Fortunato, do Movimento Negro Quilombola; Maria de Lourdes Silva Aguiar, da Comunidade Remanescente do Quilombo Riacho das Pedras, Bananal e Barra; Darvina Maria dos Santos tem 91 anos de idade, neta do fundador do quilombo Lagoa do Melquíades; Antonio Santos Ferreira Filho, mestre Acordeon, e Lázaro Vieira dos Santos, mestrando Dendê, que atua na área de capoeira. Os currículos dos homenageados foram apresentados pelo professor e militante do Movimento Negro, Ademar Cirne.